Arquivo da tag: livros

A vida também é offline

por Fabiana Schiavon

A dureza financeira que me acomete neste ano me ajudou a curar uma doença: ser compradora compulsiva de livros. Passei muito tempo comprando, comprando, comprando e sem tempo de ler, eles se acumularam na minha estante.

Comecei fazendo uma limpa. Visitei três vezes o sebo, vendi o que não me interessava mais, sem trocar por nenhum livro. Saldo: sobraram 20 livros na estante para ler. E minha meta é só comprar um livro novo depois que terminar todos esses aqui.

Já tenho a minha primeira conquista: História Social da Música Popular Brasileira, de José Tinhorão. Ele estava aqui na pilha de livros, parado, há uns 7 anos!

E eu perdi tempo todos esses anos. O Tinhorão foi odiado por isso, mas eu gostei da tese dele. Ele mergulha na história da música brasileira, desde os tempos do Brasil colônia, para provar que o país perdeu sua essência musical com a bossa nova. Para ele, o movimento de Tom Jobim e companhia não tem nada a ver com música brasileira. Na época, a música estava totalmente influenciada pelo jazz americano e deu-se um jeito de “americanizar” o samba. Tipo isso.

No fim do livro, ele conta com tristeza (para a minha felicidade) a também dominação do rock ‘n roll, guitarras e baterias na cultura brasileira. Dá para sentir a tristeza dele de ver as origens brasileiras morrerem – pelo menos na concepção dele.

Concordando ou não, o livro é um clássico e suas teorias fazem bastante sentido. Vale muito mesmo a leitura.

Dois livros sobre amor (x + e) amizade

Quem me conhece sabe que eu não sou lá muito romântica e não indicaria aqui livros sobre lindas histórias de amor com finais felizes. Se é isso que você procura, não leia as obras abaixo. Elas tratam de histórias com altos e baixos, momentos destrutivos, picos de angústia extrema, amizade e, sim, amor – como núcleo central. Elegi estes dois livros para falar aqui, pois apesar de parecerem completamente diferentes, quando estava lendo o segundo, lembrei do primeiro.

One Day

Sai um sábado para procurar alguns livros e cruzei com One Day, de David Nicholls, andando pela livraria, eu gosto de comprar livros pela capa. Bati o olho e pensei: é esse. Depois fui ler com mais atenção a chamada: “Big, absorbing, smart, fantastically readable.” Nick Hornby, form his blog.

É difícil eu comprar um livro indicado por alguém que eu não conheça. Acho que isso tem um fundo na minha infância, minha mãe sempre comprou livros e incentivou a leitura. Quando fui crescendo e comecei a escolhê-los, ela me levava a uma livraria na praia e o dono, muito simpático, indicava algumas obras. Era muito raro ele errar. E assim foi por mais de 15 anos, o último livro que li indicado por ele foi Vernon God Little, de DBC Pierre (DBC – iniciais para Dirty But Clean), vencedor do Booker Prize em 2003. Acostumei assim, gosto de conversar com as pessoas e ouvir indicações.

Voltando ao One Day, mesmo sem a frase de Hornby eu compraria o livro, mas ela me deu ainda mais vontade de lê-lo. Nicholls conta a história de encontros e desencontros de um casal de amigos. Tinha tudo para ser banal, chato e previsível. Mas o livro não é nada disso. O autor dá um ritmo a obra que achei difícil parar de ler, não identificar-se com um dos personagens centrais é bem difícil.

Emma e Dexter se encontram um dia e não conseguem parar de pensar um no outro. Isso já aconteceu com todo mundo, você começa a se identificar com os sentimentos que surgem em Em, mais propensa a um romance, e em Dex, ressabiado e louco para curtir a vida de solteiro. Mas existem pessoas que passam pelas nossas vidas e não escapam, assim são Em e Dex, a amizade sempre esteve entre eles. Vinte anos de história marcados por uma data em julho – assim Nicholls leva a narrativa, ele me encantou. Recomendo a leitura.

Só garotos

Que a vida de Patti Smith vale ser conhecida, não há dúvidas. Nunca fui fã, pra falar a verdade conheço sua obra bem por cima e não tenho nenhuma ligação com seu legado artístico. Mas quando li sobre seu livro fiquei curiosa, ela conta em Só Garotos sua história de amor e amizade com o fotógrafo Robert Mapplethorpe.

Fui viajar com minha mãe em uma correria louca, sai da Campus Party para o hospital onde meu avô estava internado, de lá para a casa de minha mãe e então para o aeroporto. Chegando me dei conta de que havia esquecido de levar um livro. Agora sei que foi pura sorte.

Não compro livros em aeroportos no Brasil porque tenho horror a permitir que me assaltem na cara dura, mas neste caso minha mãe foi bem querida e insistiu bastante para me dar um. Talvez por estar cansada de me ouvir reclamar de ter esquecido de levar um livro, que isso atrapalharia a viagem, que eu nunca viajo sem nada para ler – enfim, de ser uma chata.

Entramos na livraria e comecei a procurar alguma coisa, difícil, viu…Eram duas prateleiras, uma inteira dedicada a livros de auto-ajuda, outra com títulos relacionados a negócios – nada contra, mas não queria ler sobre marketing ou administração nesta viagem. Quando olhei pra cima vi o Só Garotos brilhando pra mim: mãe, quero aquele!!!

Que vida, Patti! Em Só Garotos Patti divide com seus leitores uma história linda que viveu ao lado de Robert Mapplethorpe, um rapaz atraente que conheceu quando foi morar em Nova York para tentar ser artista. Como em One Day, a amizade e cumplicidade deste casal são emocionantes. Patti e Robert não demonstram aquele sentimento de posse ao qual estamos tão acostumados hoje em dia. A arte, a felicidade e o bem estar do outro vêm sempre em primeiro lugar.

O começo da vida desses dois foi muito difícil, mesmo assim, em nenhum momento as dificuldades foram desculpas para brigas banais. O livro é revelador e também traz personagens interessantes do cenário artístico nova iorquino nos anos 60. Mesmo que você nem imagine quem são Patti Smith e Robert Mapplethorpe, Só Garotos garante, no mínimo, uma leitura agradável.

Pesquisa profunda na internet é possível

por Fabiana Schiavon

A internet é superficial? Prefere os livros? De alguma forma, de link a link, os internautas acabam presos a textos pequenos, frios e sem profundidade. Mas basta querer para encontrar detalhes e dados confiáveis na web. Um exemplo disso é o livro 1808.

Na introdução do livro, o autor revela que não só desbravou bibliotecas e historiadores renomados para recontar o conto da fuga da corte portuguesa para o Brasil. Eis aqui alguns sites que ele citou:

Audible.com – o site do grupo Amazon oferece o áudio de livros de história, romances, literatura infantil e juvenil e outras publicações especializadas. Algumas delas são cobradas, mas há muitos títulos gratuitos. Vale tentar a sorte. a página é até uma boa para quem está precisando estudar inglês e aquecer os ouvidos.

O autor também fuçou os aplicativos do iTunes e encontrou podcasts valiosos, como todas as aulas de graduação da Universidade da California em Berkeley. Lá, ele teve acesso a aulas de história da civilização europeia, por exemplo. Também no iTunes, ele encontrou tudo sobre Napoleão no “The Podcast Network”.

Vale correr atrás e dividir essas preciosidades da web.